Perfil Lipídico Expandido

colesterolUma das partes mais tradicionais do famoso “check-up” é medir o colesterol e suas frações. Quase todo mundo faz isso, quase todos os médicos pedem estes exames. É extremamente comum também as pessoas ficarem felizes com números baixos e assustadas com valores mais altos. Pode ser que alguns estejam certos em ter estas sensações mas muitos podem estar sendo enganados por estes números.
Aproximadamente metade das pessoas que sofrem um infarto cardíaco possuíam níveis absolutamente normais ou até baixos de colesterol. O exame estava ótimo. Então o médico era burro ou o laboratório errou? Claro que não! O problema é que este exame é “genérico” demais. Medir o colesterol não nos diz em que condições ele se encontra, qual o seu tamanho ou número de partículas.
As partículas grandes de colesterol apenas circulam junto com o sangue sem causar muitos danos. Já as menores, têm mais facilidade em entrar na parede dos vasos e começar a formação de placas. Mas tem mais, não adianta só entrar, ele precisa estar modificado, “intoxicado” por moléculas como o açúcar ou radicais livres. Esta intoxicação ocorre por diversos fatores como a má alimentação, o fumo, e a falta de exercício.
Mesmo os subtipos conhecidos como colesterol “bom”(HDL) e “ruim”(LDL) não são sempre tão bons e nem tão ruins. O HDL pode ter níveis sanguíneos elevados pois está disfuncional, não consegue fazer seu trabalho direito, logo o corpo produz um monte dele. Já o LDL pode ser em grande quantidade porém sem alterações, ficando assim inofensivo.
A genética também entra em jogo nesta questão. Algumas pessoas são propensas a terem partículas piores e em maior número, estes precisam de ainda mais cuidados. É quando se vê inúmeros casos de pessoas as quais viram todos seus familiares infartarem em idade precoce apesar dos exames serem sempre “normais”.
Usar medicamentos para baixar o colesterol na maioria das vezes também é inútil. Eles geralmente não melhoram o tamanho das partículas e nem seu número absoluto. A pessoa continua em risco, apenas acreditando que não (o que pode ser ainda pior). Estes fármacos são importantíssimos em alguns casos mas cada caso deve ser muito bem avaliado antes de iniciar o uso.
Hoje já existe um exame chamado “Perfil Lipídico Expandido” que demonstra os subtipos, tamanho e condições em que se encontram os diversos subtipos de colesterol. Infelizmente, ainda não encontrei laboratórios no Brasil que o executem.
Enquanto não é possível saber os níveis com precisão, o importante é todos terem cuidados gerais: alimentar-se bem, ter uma boa dose diária de ômega 3, comer muitas fibras e vegetais, não exagerar no açúcar e nos carboidratos, fazer exercícios e não fumar são algumas destas medidas básicas.

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